FORUM DE PROTEÇÃO DE DADOS · N.º 06

20 exemplificativo, os casos da World Wide Web (WWW) http, https, ftp e ftps, ou da infraestrutura de suporte ao correio eletrónico com recurso a SMTP, POP e IMAP. Uma das revoluções que se encontra atualmente em curso é a denominada Internet das Coisas , também conhecida pelo acrónimo IoT ( Internet of Things ), e parte do princípio de que todos os aparelhos, máquinas, dispositivos e objetos se encon- tram habilitados a estarem permanentemente ligados à Internet, são capazes de se identificar na rede e de comunicar entre si. Podem ter o seu estado alterado através daquele meio, com ou sem o envolvimento ativo do ser humano e têm capacidade para recolher uma vasta quantidade de informação sobre os que os rodeiam. A Internet Society define o IoT em sentido amplo como «a extensão da conectivi- dade de rede e capacidade de computação para objetos, dispositivos, sensores e ou- tros artefactos, que normalmente não são considerados computadores» - veículos, luzes de trânsito, eletrodomésticos, câmaras de vigilância, detetores de condições ambientais, sensores de presença, e dispositivos médicos são apenas alguns exem- plos do que já hoje existe no universo IoT (LEVEREGE, 2018). O objetivo ( benigno ) de todos estes dispositivos, e sobretudo da grande quanti- dade de dados resultantes da respetiva interação através da Internet, é o de que o resultado do processamento de dados seja efetuado para que, por exemplo, se evitem engarrafamentos de trânsito, se antecipe oportunamente uma doença fatal num doente ou um acidente em um edifício, se utilize de forma mais eficiente a energia, apenas para indicar alguns dos exemplos. Esta nova vaga tecnológica, que se baseia sobre a IoT, viabiliza uma grande intera- ção entre os diversos dispositivos instalados ao longo da cadeia de produção, desde «o chão de uma fábrica», passando pela cadeia logística, até à venda de um produto na prateleira de um supermercado, passando pela gestão de «stocks», permitindo que os processos de fabrico resultem de uma comunhão entre o mundo físico e o virtual. Quer os equipamentos nas linhas de produção, quer os produtos que estão a ser fabri- cados, quer os centros logísticos, quer os locais de venda, são capazes de interagir autonomamente, mais uma vez com o objetivo ( benigno ) de melhorar o processo pro- dutivo e assim fabricar produtos de maior qualidade, mais alinhados com as exigên- cias do cliente, permitindo melhorias de eficiência em toda a cadeia de valor. Por outras palavras, a tecnologia digital emque se baseia a Indústria 4.0,quer na com- ponente de produção, quer na componente logística, contempla a simbiose da infor- mação digital proveniente de várias fontes e locais, tendo em vista o comando e con- trolo do ato físico de produzir e distribuir um bem ou conjunto de bens. Esta união dos sistemas TIC com as OT ( Operational Technologies ) é caracterizada por uma forte interação digital-físico-digital, envolvendo um conjunto de tecnologia que vão muito para além do IoT, como é o caso da análise massiva de dados ( BigData & Analytics ), impressão 3D, robótica e inteligência artificial, entre outros exemplos, e que completam o ciclo que digitaliza todo o processo produtivo e logístico. Assim,

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